Tendências Globais de Gestão do Conhecimento para 2026: Insights da Mesa-Redonda da KMGN

A SBGC marcou presença no evento internacional promovido pela Knowledge Management Global Network (KMGN) sobre as Tendências de Gestão do Conhecimento para 2026, uma mesa redonda que reuniu lideranças globais comprometidas com o fortalecimento da disciplina em diferentes regiões do mundo. O encontro, acompanhado por mais de 70 entusiastas da GC, gerou um diálogo rico e inspirador.

Sob a liderança de Moria Levy, fundadora da KMGN, o painel contou com especialistas amplamente reconhecidos na comunidade internacional: Olga Smirnova (atual Presidente da KMGN), Sarah Cummings, PhD (KM4Dev), Cindy Hubert (APQC), Dr. Andreas Brandner (Knowledge for Development Partnership – K4DP), and Bruce Boyes (RealKM Magazine).
A seguir, apresento os principais pontos compartilhados sobre as tendências para 2026 e os aprendizados que podemos levar para nossas organizações.

1. Inteligência Artificial Revolucionando a GC (Olga Smirnova/ KMGN)

Segundo Olga Smirnova, atual presidente da KMGN, 2026 será mais um ano marcado pela consolidação da revolução da IA generativa, que já transforma profundamente o ambiente de trabalho, trazendo turbulência, impulsionando a personalização e aumentando a incerteza — ao mesmo tempo em que amplia drasticamente a quantidade de dados e as formas de trabalhar com eles. O avanço de agentes inteligentes — inclusive agentes pessoais — e de novas plataformas ampliará a automatização de fluxos de conhecimento e criação de experiências altamente individualizadas. Para Olga, esse momento exige que a Gestão do Conhecimento brilhe, guiada por um verdadeiro mindset de GC, no qual o profissional assume um papel central como curador e estrategista do conhecimento, capaz de integrar tecnologia, colaboração e posicionamento para criar ativamente o futuro desejado. Ela lembrou ainda que a KMGN se posiciona como uma ‘rede de redes de GC’, sem limites para criar, compartilhar conhecimento e iniciar projetos que fortaleçam a disciplina globalmente.

 

2. GC como Base para Aprendizagem e Resiliência (Cindy Hubert / APQC)

Cindy Hubert, representando a APQC, destacou que a Gestão do Conhecimento seguirá como a espinha dorsal das organizações que desejam aprender continuamente e se manter resilientes em um mundo em rápida transformação. Ela explicou também que uma das principais tendências para 2026 será a construção de bases de conhecimento preparadas para a IA, garantindo que dados e conteúdos estejam organizados, estruturados e de qualidade. Ela reforçou que, mesmo em um mundo cada vez mais orientado por tecnologia, a GC continuará sendo profundamente centrada nas pessoas, pois nenhum sistema prospera apenas com tecnologia — pessoas, processos e colaboração seguem no centro. Cindy também apontou que veremos uma evolução significativa das comunidades, que precisarão adaptar seu modo de operar ao contexto digital para garantir colaboração eficaz e transferência real de conhecimento. Em síntese, preparar fundamentos sólidos, manter o foco nas pessoas e fortalecer comunidades serão pilares essenciais da GC em 2026.

 

3. GC para Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável (Sarah Cummings/ KM4dev)

Sarah Cummings trouxe a perspectiva do campo de desenvolvimento internacional, ressaltando que a Gestão do Conhecimento será cada vez mais orientada à inclusão, à equidade e à participação significativa das comunidades. O futuro da GC no desenvolvimento passa por ampliar a escuta ativa e incorporar múltiplas vozes — especialmente as de grupos tradicionalmente marginalizados — como parte essencial da construção e validação conjunta do conhecimento. Ela destacou que os mecanismos de engajamento comunitário precisam ser fortalecidos, não apenas como ferramentas metodológicas, mas como práticas que democratizam o acesso, o diálogo e a tomada de decisões. Sarah também enfatizou que a GC é um instrumento poderoso para enfrentar desafios globais complexos, como desigualdades sociais, questões ambientais e crises de saúde, tornando-se um eixo estratégico para soluções colaborativas e sustentáveis.

 

4. Relevância Crescente da GC (Andreas Brandner/ K4DP)

Andreas Brandner destacou que a adoção das práticas de Gestão do Conhecimento continua crescendo em diversos contextos — inclusive em organizações que não possuem estruturas formais dedicadas à GC. Para ele, 2026 reforça a ideia de que a disciplina transcende departamentos: ela se manifesta no cotidiano das organizações por meio da troca, da aprendizagem e da criatividade aplicada. Andreas enfatizou que, no contexto da IA, competências humanas como criatividade, humor, ética, colaboração e pensamento crítico se tornarão ainda mais essenciais, pois representam justamente aquilo que a tecnologia não substitui. Ele reforçou que a GC deve estar orientada para gerar impactos sociais e econômicos tangíveis, aproximando o conhecimento da prática e contribuindo para o desenvolvimento sustentável, algo que só é possível quando existem investimentos reais que permitam sua implementação de forma robusta e duradoura.

 

5. Ética, Responsabilidade e Confiabilidade da IA (Bruce Boyes/ RealKM Magazine)

Bruce Boyes apresentou uma perspectiva cautelosa e urgente sobre o avanço da IA, reforçando que a Gestão do Conhecimento não pode depender exclusivamente de sistemas automatizados sem validação humana. Ele alertou que o conhecimento mediado por IA requer rigorosos mecanismos de verificação, governança e responsabilidade, especialmente diante da velocidade com que modelos generativos podem criar conteúdos imprecisos, enviesados ou manipulados. Ele destacou a importância crescente do conceito de gestão do conhecimento responsável, que exige uma abordagem ética, transparente e metodologicamente sólida para lidar com conhecimento mediado ou produzido por IA. Bruce argumentou que organizações que adotam práticas de IA responsável não apenas reduzem riscos, mas fortalecem sua credibilidade, sua capacidade de tomada de decisão e sua competitividade. Ele defendeu a necessidade de frameworks claros para análise, interpretação e uso ético da IA, enfatizando que o profissional de GC desempenhará um papel central na criação desses parâmetros — garantindo que o conhecimento automatizado seja confiável, ético e alinhado aos valores organizacionais e sociais.

Conclusões: O Que Aprendemos e Para Onde Caminhamos

O encontro deixou evidente que a Gestão do Conhecimento está entrando em um novo ciclo — mais amplo, mais tecnológico, mas que precisa responder aos desafios com responsabilidade e com foco mais humano e mais conectado com desafios globais. Ficou claro que a GC não é opcional: ela é estratégica para organizações que desejam aprender continuamente, inovar e desenvolver resiliência em um ambiente de rápidas transformações. A inteligência artificial amplia enormemente o alcance da GC, mas não substitui o elemento humano; pelo contrário, reforça a importância da governança, da curadoria, da ética e da qualidade do conteúdo como fundamentos indispensáveis para produzir conhecimento confiável.

Também ficou evidente que a GC se manifesta de forma diversa e em múltiplos contextos, desde organizações altamente estruturadas até iniciativas sociais e comunitárias. Em todos esses ambientes, ela funciona como meio essencial para gerar resultados, fortalecer capacidades coletivas e resolver problemas reais. A mesa-redonda destacou ainda que uma GC verdadeiramente responsável — ética, inclusiva e orientada à diversidade — é decisiva para promover soluções sustentáveis, ampliar a participação social e valorizar diferentes formas de conhecimento. Assim, o futuro da GC se revela global e colaborativo, exigindo profissionais preparados para integrar tecnologia, valores e práticas que façam sentido para a sociedade.

O futuro da GC é colaborativo e global! A SBGC seguirá conectada a essa rede internacional de especialistas, trazendo ao Brasil as discussões mais relevantes e promovendo o desenvolvimento da disciplina no país. Participar dessa mesa-redonda reforça a importância do nosso papel como ponte entre a comunidade global e os profissionais brasileiros. Convidamos a todos a acompanharem nossas redes sociais e se conectarem e colaborarem com a comunidade de GC!

Sobre o autor:

Júlia Frozza

Consultora em Gestão do Conhecimento, integrante da equipe técnica da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC). Certificada em Gestão do Conhecimento pela SBGC, com especialização em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial (MBKM- Master on Business and Knowledge Management) pelo Crie/UFRJ e MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Profissional com bacharelado e licenciatura em História pela Universidade Federal do Paraná e estudos em Antropologia Cultural na Universidade da Carolina do Sul, Estados Unidos.

Uma resposta

  1. Esse debate evidencia algo que muitas vezes fica implícito: não existe GC do futuro sem desenvolvimento das pessoas como agentes ativos do conhecimento.
    Tecnologias, comunidades e modelos só ganham potência quando o indivíduo sabe aprender, dar sentido ao conhecimento que criou e agir com responsabilidade.

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