Em 1980, o sociólogo japonês Yoneji Masuda previu a transição de uma economia baseada em bens materiais para uma centrada no conhecimento e na criatividade intelectual, que ele denominou como Sociedade da Informação. Segundo ele, na era pós-industrial o cenário contemporâneo teria como pilares a digitalização, conectividade e globalização, que transformariam a educação, o trabalho e a economia.
A partir dos anos 2000 entramos na Era da Informação, com a consolidação da internet e surgimento de novas tecnologias emergentes de inovação. Em 2020, em meio à pandemia da Covid-19, um termo criado pelo futurista e antropólogo Jamais Cascio, em 2018, ganhou força para representar a Era do Caos: Mundo BANI (frágil, ansioso, não-linear e incompreensível).
A pandemia e a chegada da IA aceleraram os processos e a circulação das informações. Assim, o mundo que antes conhecíamos como VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) já não cabe mais em si mesmo: o que era volátil, ficou frágil; o que era incerto agora gera ansiedade nas empresas, que são desafiadas a prever suas estratégias acompanhando o ritmo das mudanças; o complexo está não-linear e a ambiguidade se transformou em um cenário de incompreensão para os próximos passos.
A Gestão do Conhecimento (GC) torna-se estratégica nesse cenário porque atua justamente na transformação da informação em conhecimento estruturado e aplicável. Um bom gerenciamento do conhecimento contribui para:
- Redução da fragilidade: A GC fortalece a memória organizacional, evitando perda de conhecimento crítico e aumentando a resiliência das organizações.
- Redução da ansiedade: Sistemas de GC organizam informações e facilitam o acesso ao conhecimento confiável, reduzindo a sensação de incerteza nas decisões.
- Navegação da não-linearidade: A GC promove aprendizagem organizacional, inteligência coletiva e compartilhamento de experiências, permitindo respostas mais rápidas a mudanças inesperadas.
- Compreensão do incompreensível: Ao estruturar dados, experiências e boas práticas, a GC ajuda a transformar complexidade em insights e conhecimento estratégico, além de facilitar a gestão dos ativos intangíveis (desenvolvimento de P&D e patentes, softwares, dados dos clientes, reputação da marca)
Neste cenário, a GC aparece como uma solução para os problemas trazidos pelo mundo BANI, conforme proposto abaixo:
Feito com ferramenta de IA
Em um mercado onde o caos é a nova constante, a Gestão do Conhecimento deixa de ser apenas um suporte operacional para se tornar o motor de adaptação das empresas. Ao transformar o excesso de informação em aprendizagem real e inteligência organizacional, a GC permite que as organizações não apenas sobrevivam à fragilidade do mundo BANI, mas utilizem o seu capital intelectual como a principal ferramenta de resposta e evolução estratégica perante as mudanças.
Sobre a autora: Raquel Fernandes
Especialista em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial pelo CRIE-COPPE/UFRJ, pós-graduada em Gestão e Gerenciamento de Projetos pela Escola Politécnica da UFRJ e em Design Instrucional, atua como Analista de Educação há mais de 6 anos na Universidade Corporativa do Grupo Fleury. É responsável pela criação do Projeto de Gestão do Conhecimento e atualmente conduz a implementação de processos e práticas de GC na companhia.
REFERÊNCIAS:
MASUDA, Yoneji. A sociedade da informação como sociedade pós-industrial. Rio de Janeiro. Rio; Embratel, 1980.
FUKUNAGA, Fernando. Ebook História do Pensamento na Gestão do Conhecimento. São Paulo, 2026.
https://vocerh.abril.com.br/futurodotrabalho/criador-do-termo-bani-explica-como-sobreviver-na-era-do-caos/ (Acesso em 12/03/2026)
