O CONHECIMENTO JÁ EXISTE. O DESAFIO É FAZÊ-LO CIRCULAR.

Talvez a principal mudança que os estudos sobre Gestão do Conhecimento provocaram em mim tenha sido ajustar a lente com a qual eu já enxergava esse tema.

Eu já entendia a GC como algo estratégico para as organizações, mas os estudos me fizeram perceber que isso pode ser ainda maior do que eu imaginava. Passei a olhar não apenas para a necessidade de implementar a Gestão do Conhecimento, mas também para aquilo que já existe dentro das organizações e que, muitas vezes, está disperso: iniciativas de compartilhamento, trilhas, registros, experiências e diferentes formas de aprendizagem. O desafio pode estar justamente em reconhecer essas ações, aprimorá-las, sistematizá-las e, principalmente, ligar as “perninhas” para que o conhecimento realmente circule e gere valor.

Foi nesse sentido que o Modelo Referencial de Gestão do Conhecimento (MRGC) chamou minha atenção. Mais do que apresentar práticas, ele ajuda a olhar para a GC como um sistema, conectando estratégia, processos, pessoas, cultura, tecnologia e governança. E isso me fez perceber que não basta ter boas iniciativas isoladas. É preciso saber que conhecimento é importante, quem precisa dele, como compartilhá-lo e, principalmente, como colocá-lo em prática.

Também ficou mais claro para mim que nem todo conhecimento é fácil de registrar.

Há aquele que nasce da experiência e da vivência e que, muitas vezes, precisa ser compartilhado por meio de mentorias, acompanhamento e comunidades de prática.

Outro ponto que ficou muito forte para mim é que as pessoas mudam, mas a organização precisa continuar. Pessoas chegam, saem, mudam de função e se aposentam, mas o conhecimento necessário para que a organização continue funcionando não pode ficar preso a uma única pessoa ou a uma determinada cadeira. Guardar documentos e disponibilizar informações não é suficiente. É preciso fazer o conhecimento circular, ser compartilhado e, principalmente, ser aplicado.
O conhecimento já existe. O desafio é fazê-lo circular.

Não porque tudo precise ser criado do zero, mas porque já existe muito conhecimento dentro das organizações que precisa ser reconhecido, organizado e conectado. Talvez esse seja um dos maioresganhos da GC: fazer com que aquilo que a organização aprende não fique preso a pessoas, setores ou momentos. As pessoas mudam, mas a organização precisa continuar.

 

Sobre a autora:

Deiane Julião é administradora, pós-graduada em Gestão de Pessoas e formada em Psicoterapia. Atua com Gestão do Conhecimento e desenvolvimento de pessoas, além de ser professora e palestrante nas áreas de liderança e comunicação

Sobre o autor:

selo-Certificado
Alunos da Certificação Gestor do Conhecimento da SBGC

Os conteúdos assinados por alunos da Certificação Gestor do Conhecimento da SBGC fazem parte das atividades práticas da formação. Por meio dessas publicações, nossos participantes colocam em prática os conhecimentos adquiridos, contribuindo com reflexões, experiências e boas práticas para a comunidade. Esta iniciativa reforça o compromisso da SBGC com o desenvolvimento de profissionais que transformam organizações por meio da Gestão do Conhecimento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Compartilhe

Últimas Publicações

Gestão do Conhecimento: transformar saberes em valor para a organização

Em um ambiente cada vez mais dinâmico, tecnológico e dependente de competências especializadas, o conhecimento tornou-se um dos principais ativos

O Conhecimento Como Principal Ativo das Organizações

Nos dias atuais, o conhecimento é um fator essencial para o sucesso das organizações e para o desenvolvimento da sociedade.

Gestão do conhecimento na usina de Itaipu

Quando se fala na Itaipu Binacional, normalmente, o que vêm à cabeça é a barragem, o reservatório, os grandes equipamentos