KMGN Course 2026 | Sessões 2 e 3: Mapeamento de Conhecimentos e Gestão de Risco em GC

A jornada “Da Estratégia ao Impacto” do curso anual da KMGN avançou por temas fundamentais nas últimas semanas. Para mover a Gestão do Conhecimento (GC) de um plano teórico para resultados reais, precisamos primeiro compreender melhor o estado do conhecimento e também entender os riscos que o cercam e como isso impacta a organização.

Como representante da SBGC, acompanhei as sessões de Manfred Bornemann e Susanne Durst, e o que emergiu foi um alerta: ter o conhecimento não garante valor à organização; compreender seu estado e gerenciá-lo bem sim.

Mapeamento

O mapeamento foi abordado por Manfred Bornemann de forma estratégica para a comunicação e tomada de decisão. Não mapeamos para “guardar”, mapeamos para compreender, convencer e priorizar.

O diferencial desta abordagem está em quatro passos importantes:

  1. Definir o problema e o propósito: Antes de qualquer desenho, devemos definir qual decisão, risco ou questão estratégica estamos endereçando. O propósito deve ser claro para que o mapa não seja apenas uma ilustração vaga. O que realmente queremos entender ao mapear conhecimentos?

  2. Selecionar o framework conceitual: Como organizar os dados? Pode-se usar as categorias da ISO 30401, cadeia de valor, estágios de processos, arquétipos de sistemas ou categorias de Capital Intelectual (Humano, Estrutural e Relacional), por exemplo.

  3. Ancorar a estrutura em dados: Com essa estrutura conceitual, o mapa precisa de base sólida, seja ela qualitativa, quantitativa ou baseada em interações e evidências digitais. Com o devido cuidado em sua aplicação, a Inteligência Artificial surge aqui como uma aliada para enxergar padrões ocultos e extrair dados estruturados de fontes complexas, por exemplo, como transcrições de vídeos e notas de workshops.

  4. Escolher a forma visual: A escolha das formas de visualização só vem depois que os três passos anteriores estão consolidados e devem comunicar a mensagem de forma íntegra, facilitar a compreensão e possibilitar a melhoria da tomada de decisão.

Riscos em GC

Já a Prof. Susanne Durst nos trouxe a perspectiva da gestão de risco em gestão do conhecimento e nos convidou a exercitar a neutralidade estratégica. Susanne nos convida a adotar uma perspectiva neutra sobre o conhecimento ao avaliar riscos. Ao mesmo tempo que o conhecimento é um ativo inerentemente positivo e valioso, também é dinâmico e frágil; pode induzir a erros de decisão, reforçar vieses ou extravasar fronteiras pretendidas. Eventos como a rotatividade de funcionários (turnover), por exemplo, podem ser riscos negativos (perda de expertise crítica) ou oportunidades positivas (renovação de ideias e desaprendizagem de práticas obsoletas). O risco não está apenas na perda, mas no uso indevido ou na confiança cega em dados não validados. Na era da IA, o discernimento humano torna-se ainda mais crítico. Gestores de GC devem validar e desafiar resultados gerados por máquinas para evitar alucinações ou dependência excessiva que causem erosão das habilidades analíticas da equipe.

Susanne aborda o risco em GC em três dimensões:

  1. Dimensão Humana: Envolve o recrutamento e a sucessão. Susanne diferenciou o esquecimento deliberado (positivo para abrir espaço ao novo) do esquecimento acidental (negativo, forçando a organização a “reinventar a roda”) .

  2. Dimensão Tecnológica: Inclui desde a segurança cibernética até a “ilusão de entendimento” gerada pela dependência excessiva de ferramentas como a IA, que podem causar a erosão de habilidades analíticas.

  3. Dimensão Operacional: Foca em lacunas de conhecimento e nos riscos de terceirização (outsourcing), onde a empresa pode “desaprender” funções críticas e tornar-se dependente de parceiros externos.

Susanne demonstrou a medição do risco pela probabilidade e severidade dos impactos nas atividades baseadas em conhecimento. Compreendemos que o objetivo da Gestão de Riscos de Conhecimento (KRM) é aplicar ferramentas sistemáticas para identificar e responder a esses riscos, cujos efeitos podem ser positivos ou negativos, garantindo a sustentabilidade e a agilidade organizacional.

Insights Práticos para Gestores do Conhecimento

Combinando as duas sessões, a maturidade estratégica começa quando paramos de assumir o valor do conhecimento por si só e passamos a projetar seu impacto deliberadamente. Para a sua prática diária:

  1. Mapeie com intenção: Não crie mapas apenas para “ter a foto” da sua área ou da organização. Use o mapeamento para identificar onde estão as maiores vulnerabilidades de conhecimento que podem paralisar o negócio e onde estão as oportunidades também. Use-o para tomar decisões e agir para melhor gerenciar o conhecimento, de forma consciente e assertiva.

  2. Avalie o risco do “não gerir”: Muitas vezes, o maior risco não é o vazamento de informação, mas a obsolescência de não se renovar ou a incapacidade de localizar o conhecimento certo no momento da decisão.

  3. Use a tecnologia com criticidade: Utilize a IA para auxiliar o mapeamento e identificar riscos, mas mantenha especialistas no comando para contextualizar esses achados. A tecnologia é suporte no fornecimento do dado, mas é o gestor quem tem o conhecimento para o julgamento ético e estratégico.

Ainda dá tempo de se inscrever e investir no seu crescimento profissional!

As sessões são gravadas, permitindo recuperar o conteúdo anterior e se conectar com essa rede global. Associados da SBGC têm desconto exclusivo!

Próxima sessão: 3 de março de 2026 (terças-feiras)

Inscrições aqui: https://lnkd.in/dbFnNh3G

Sobre o autor:

Júlia Frozza

Consultora em Gestão do Conhecimento, integrante da equipe técnica da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC). Certificada em Gestão do Conhecimento pela SBGC, com especialização em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial (MBKM- Master on Business and Knowledge Management) pelo Crie/UFRJ e MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Profissional com bacharelado e licenciatura em História pela Universidade Federal do Paraná e estudos em Antropologia Cultural na Universidade da Carolina do Sul, Estados Unidos.

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