O encontro da Comunidade de Prática em Maturidade em Gestão do Conhecimento e Inovação (CoP MGCi), realizado em setembro, marcou a entrada do grupo na última dimensão discutida ao longo do ciclo de 2025: o ambiente organizacional. A conversa trouxe à tona um aspecto essencial, e muitas vezes invisível, da Gestão do Conhecimento (GC): é nesse ambiente que a GC deixa de ser apenas uma iniciativa formal e passa, de fato, a ser incorporada ao cotidiano das organizações.
A discussão percorreu temas como cultura organizacional, liderança, estrutura de gestão e infraestrutura física e tecnológica, evidenciando que a GC não se sustenta apenas por métodos, ferramentas ou processos bem desenhados. Ela depende, sobretudo, das condições organizacionais que favorecem (ou não) o compartilhamento, a colaboração e a aprendizagem contínua.
Um dos pontos centrais foi a compreensão de que cultura não se “implanta”, mas se constrói no dia a dia, por meio de escolhas conscientes. Os participantes refletiram sobre como diferentes contextos exigem abordagens distintas: ambientes mais formais ou hierárquicos podem demandar estratégias específicas, enquanto espaços mais flexíveis favorecem práticas colaborativas mais espontâneas. O desafio está em adaptar a linguagem, os rituais e os formatos de interação sem perder o propósito da GC.
A liderança apareceu como elemento decisivo nesse processo. Quando líderes compreendem e vivenciam a GC, ela tende a se espalhar de forma mais orgânica. No entanto, mesmo com apoio institucional, surgem desafios sutis: a GC pode ser percebida como algo “à parte”, uma responsabilidade exclusiva de uma área específica, e não como um compromisso coletivo. Essa percepção, muitas vezes inconsciente, afeta o engajamento, a apropriação das práticas e até o reconhecimento das contribuições individuais.
Nesse contexto, o encontro trouxe reflexões importantes sobre ego, mérito e reconhecimento. Foram compartilhadas experiências que mostram como o medo de perder protagonismo ou “dividir o crédito” pode afastar áreas e pessoas da GC. Em contrapartida, práticas de valorização explícita, visibilidade dos envolvidos e reconhecimento institucional surgem como estratégias para fortalecer a cultura do conhecimento.
Outro aprendizado relevante foi a importância de integrar a GC aos processos formais de gestão, como avaliação de desempenho, desenvolvimento de competências, programas de capacitação e metas organizacionais. Quando a GC passa a fazer parte desses sistemas, ela deixa de depender apenas da boa vontade individual e ganha legitimidade institucional.
A infraestrutura também entrou no debate, não apenas sob a ótica tecnológica, mas física e simbólica. Ambientes, formatos de reunião e ferramentas utilizadas influenciam diretamente a qualidade das trocas. Espaços excessivamente formais nem sempre favorecem conversas abertas, enquanto tecnologias bem utilizadas podem apoiar desde a captura de conhecimento até o suporte ao desempenho no momento da necessidade.
Ao longo do encontro, ficou claro que não existem fórmulas prontas. Cada organização precisa encontrar seu próprio caminho, considerando seu porte, setor, maturidade e contexto cultural. Ainda assim, a troca de experiências mostrou que desafios como resistência cultural, sobrecarga de informação, dificuldade de engajamento e reconhecimento são comuns e podem ser enfrentados com diálogo, intencionalidade e aprendizado coletivo.
A CoP MGCi é um espaço seguro e qualificado para compartilhar dores reais, estratégias possíveis e práticas que funcionam na vida real. Um espaço onde a GC é discutida não apenas como método, mas como prática viva, relacional e profundamente humana.
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