Antes de tudo, vamos combinar uma coisa: conhecimento não é um fenômeno abstrato que só serve para impressionar em reunião. Conhecimento é ativo, recurso e o que separa uma empresa que apenas sobrevive (sim, sobrevive, porque o mercado não perdoa quem para no tempo) de uma empresa que cresce, inova e se adapta quando o mercado muda. E é exatamente aí que entra a Gestão do Conhecimento (ou GC, para os íntimos) que, basicamente é o conjunto de processos de identificação, criação, retenção, transferência e aplicação do conhecimento para alcançar os objetivos estratégicos organizacionais de forma mais eficiente do que antes, ou do que sem esses processos. O conhecimento, nessa perspectiva deve gerar valor para o negócio, em vez de ficar perdido na cabeça de três pessoas ou esquecido em um cemitério de arquivos que nunca é consultado (pausa para referência 80’s: sabemos que quando voltam do cemitério “eles não voltam iguais”)
Existem problemas de conhecimento bem específicos rondando os processos mais importantes da empresa: equipes muito novas, erros que se repetem, informação certa que não aparece na hora certa, especialista que só existe um (e se ele sair de férias?). Dessa forma, a GC contribui a empresa a alcançar os resultados que ela realmente busca usando o que ela já sabe (e o que ainda vai aprender) como combustível.
Contudo, a GC é meio e não é um fim em si mesma. Um dos desafios significativos na GC é reconhecer que ela não se trata de criar documentação ou repositórios ou, ainda, que é apenas “documentar tudo”. Sem cultura de aprendizagem e compartilhamento, confiança entre as pessoas e liderança favorável e dando o exemplo, o conhecimento continua trancado na cabeça de quem sabe, com o risco de perder tudo isso em uma aposentadoria ou em uma alta rotatividade. Os desafios reais são outros: visão clara e patrocínio da alta direção, comunicação que realmente engaja, uma cultura que valoriza quem compartilha e um ambiente onde é possível errar, aprender e trocar ideias sem medo.
Todos esses fatores somados geram uma vantagem competitiva que aparece em diferentes níveis, desde a estratégia corporativa até cada colaborador individualmente. No nível corporativo, processos eficazes de GC permitem que as organizações protejam seu capital intelectual e garantam que o conhecimento seja bem aproveitado para entregar produtos e serviços de maior qualidade com menos desperdício. No nível das equipes, se traduz em grupos mais empoderados, menos repetição de erros e um ambiente mais integrado, onde áreas que antes não interagiam agora cooperam para trocar conhecimento tácito. Já no nível individual, significa crescimento profissional, redes de relacionamento ampliadas, mais motivação por estar envolvido em projetos a oportunidade de aprender continuamente e atualizar as próprias habilidades, o que ajuda cada colaborador a perceber seu próprio valor e potencial.
Enfim, a GC não é modinha ou burocracia, sua importância é estratégica, que evita reinventar a roda a cada projeto novo e vai fechando aqueles gaps de conhecimento que ninguém sequer sabia que existiam, garantindo que o conhecimento, e não a sorte ou o acaso, impulsione o desempenho corporativo, a competitividade, a inovação e sustentabilidade dos negócios.
Sobre a autora:
Erika Campos Pereira
Pedagoga pela UFRJ, com especialização em Gestão de Recursos Humanos, Educação Corporativa e Gestão do Conhecimento. Atua há mais de 16 anos na área de Educação Corporativa, com experiência em aprendizagem organizacional e desenvolvimento de pessoas. Atualmente, coordena o Núcleo de Gestão do Conhecimento da Transpetro, com foco na preservação do conhecimento organizacional e na sustentabilidade do negócio.
